3.3.11

Vitórias morais...

Pelo que tenho seguido ultimamente nos jornais, blogs, conversas, "etecétera" e tal, parece-me que o MpD já encontrou as suas vitórias morais: primeiro foi a aceitação da derrota por parte de Carlos Veiga, como se de grande gesto se tratasse; segundo foi o veto do PR ao Estatuto dos Magistrados.
Logo após as eleições, foi ver o "sururu" causado - pelos militantes do MpD é certo - em torno do facto de CV ter "aceite" os resultados. Mas, uma pergunta: tinha ele alternativa? Devo dizer que para mim, ele pretendeu arrumar a questão, para rapidamente pensar no "next step" e na estratégia de se manter no comando do partido. Ao partilhar esta minha leitura, ouvi que estava a "implicar com o homem" e que "devia deixar os adversários em paz". O que sucede é que eu tenho as minhas leituras e exponho-as, independentemete do que as pessoas possam pensar!
O resultado, a seguir foi o que se viu: um Carlos Veiga "pujante", raivoso, bem ao seu estilo, a legitimar por intermédio da CP a sua manutençao no cargo e a disparar declaraçoes na imprensa nacional e estrangeira a falar de "grande fraude", "compra de votos", "dinheiros de fora" e "lutas desiguais"!!! Acto contínuo, os seus indefectíveis surgiram na arena, também eles raivosos (será que prevendo o seu fim político?) a fazerem o mesmo...o pior foi o zurro que veio do Norte, depois do surto de afonia angustiante, que se seguiu à sua derrota...
Agora pergunto: face às declaraçoes dadas por CV hoje, em que ele afirma que JMN deve ser indicado para PM, deveremos todos bater palmas ao homem pelo desapego ao poder e pela lição de democracia??
A outra "vitória moral" que eles tentam impor é o veto do PR ao Estatuto dos Magistrados. Acho essas questões ridículas. Existe um principio de separação e interdependência de poderes, plasmado na Constituição da República. O PR, no exercício de suas funções, se considerar que deve vetar um diploma o faz e justifica as suas razões. Cabe ao Governo, ou ao Parlamento reavaliar o diploma e fazer as correções necessárias. É tão simples quanto isso. Num estado de direito democratico, as leis e as instituições são respeitadas e foram feitas para serem cumpridas. É que eles ainda não se acostumaram a isso!!
Na minha opinião, se o MpD quiser uma vitória moral, o que deveriam fazer era o seguinte: confrontar CV e convidá-lo a abandonar a liderança, abrindo espaço a novas lideranças, novas dinâmicas e SOBRETUDO a novas práticas/atitudes políticas e novos discursos...aí sim, estariam a dar um bom contributo à democracia neste país!!

2.3.11

João Bosco, KriolJazz, Festivais...

João Bosco vem para actuar em 2 shows, um em Mindelo, no dia 17 de Março, outro no dia 18, na Praia. João Bosco é um dos maiores e melhores musicos do Brasil, na actualidade, no estilo MPB. Com um estilo singular, arrebata as pessoas com suas melodias e letras, que espelham o Brasil multicultural, ponto de intersecção de vários povos , etnias, raças e origens.
Eventualmente, não podemos considerar que seja um artista de massas (sem a conotação pejorativa para "massas"), mas é um artista que já ultrapassou a fase de maturação e reflecte o que de melhor se pode encontrar na música brasileira hoje.
A dimensão de João Bosco e o facto de actuar em Cabo Verde, pela segunda vez, nos leva a outras reflexões. A primeira é o facto de Cabo Verde, por intermédio da música estar a entrar nos roteiros. Poderá ser...
A presença de vários artistas de renome nos festivais aqui realizados poderá dar uma dimensão importante ao país. Porém a reflexão seguinte será: e depois?!
Vivemos dizendo que a musica corre nas nossas veias. Porém isso é pouco. Temos que incentivar esse dom, com escolas de música ou com formação na área. Por outro lado, os incentivos aos artistas é também importante.
A promoção do nosso destino, enquanto potencial cultural/musical deve ser assumido pelas agencias. Os festivais precisam ser reconfigurados/reformulados. Rentabilizar a vertente mar e promover/integrar com outras actividades: desportos náuticos, protecção ambiental...
Fundar o turismo cultural, com uma forte vertente musical, com espaços de boa música. Incentivar restaurantes, bares, locais de lazer a ter musica.
Por outro lado, consolidar, por exmplo o KriolJazz..torná-lo uma marca de Cabo Verde e tentar mobilizar outros países paa o evento. Que não seja anual, só na Praia, mas torná-lo sazonal, capaz de atingir outras ilhas. Integrar o KriolJazz com a gastronomia e com outras manifestaçoes culturais, tais como literatura, poesia, intrinsicamente ligadas à musica...
É assim que eu vejo os nossos artistas e a nossa musica a darem um real contributo ao país e à afirmação cultural. Acredito que com a nossa pequenez, uma forma positiva em que poderiamos exercer uma colonização, seria a "colonização cultural"...e como sairia o mundo a ganhar!

As Presidenciais 2011, parte I: quando começam os erros táticos

Começou, faz algum tempo, a corrida às presidenciais de 2011. Se por um lado ainda há somente o manifestar de intenções, por outro, dá-se quase como certo o apoio do MpD a Jorge Fonseca e no PAICV, a decisão fica a cargo do CN desse partido, no próximo dia 10 de Março. Até agora 3 nomes surgiram: Manuel Inocêncio Sousa, Aristides Lima e David Almada...

Porém posições de apoio já são conhecidas. Eu, pessoalmente, numa crónica escrita ainda em finais de 2009, n o jornal A Nação, manifestava o meu apoio a Manuel Inocêncio e exortava, com argumentos o PAICV a fazer o mesmo. Outras manifestações se seguiram, em relação a outros candidatos, mesmo de outros partidos.

Hoje, depois das eleições e com o fim de uma estratégia que se anunciava, a de Veiga entregar o Governo, caso o MpD ganhasse e partisse para adisputa das presidenciais, o campo do Mpd ficou reduzido a JCF e a alguma outra individualidade apoiada por Veiga. Contudo, internamente Veiga encontra-se fragilizado, caso o MpD seja um partido "sério". Daí que não resta outra alternativa senão apoiar JCF.

No seguimento da agenda presidencial, eis que me dou conta de um texto publicado no blogue do deputado Humberto Cardoso, em que ele faz uma considerações, que eu não posse me escusar de tcer alguns comentários, discordadno, é claro:

1. Cita Veiga como sendo um "adversário de peso" para as presidenciais. Ora Veiga perdeu as eleições legislativas de 6 de fevereiro por um score maior ao que tinha perdido Agostinho Lopes, em 2006. O MpD, não obstante ter aumentado o numero de deputados, aproveitando-se da nova configuração geográfica/eleitoral, diminuiu a porcentagem (desceu de 41...% para 40%), num score, também menos conseguido que Agostinho Lopes. Veiga se apoiou numa estrategia em que seu nome surgia, em detrimento da legenda...dentre outras medidas, e perdeu! Portanto discordo que seja um candidato de peso!!

2. Humberto Cardoso afirma também que os pré-candidatos do PAICV ainda não se afastaram dos seus cargos políticos. Ora, HC, sendo deputado e conhecedor, muitas vezes legislador, das leis faz essa confusão não por distração, mas intencionalmente, pois sabe que não houve anúncio público de candidatura, houve sim manifestação de disponibilidade para se candidatar, até porque existe também um timming para os anúncios públicos de candidatura...além do facto de que as candidaturas são públicas, quando acompanhadas de um mínimo de 1000 assinaturas e um máximo de 4000!

3. De novo, fingindo esquecer, HC insinua que Veiga teria cumprido a lei em 2000 por ter se afastado do Governo. Nada mais falso! Em 2000, Veiga desrespeitou a Constituição ao se demitir do cargo de PM, nomeando outro PM, do seu partido, sem respeitar os prazos impostos pela Constituição, violando-a claramente!

4. Outro erro de palmatória pra quem faz política ha tanto tempo é o facto de afirmar que Veiga assumiu a derrota em 2001 e só "o seu sentido de honra e espírito democrático" o fizeram aceitá-lo. Outra falácia. Todos ouvimos Veiga, no debate com JMN, no dia 18 de Janeiro afirmar que "ganhou" as eleiçoes em 2001...patético! Mas todos acompanhamos o próprio Veiga "aceitar" a derrota no dia 6 de Março e logo a seguir, juntamente com outros dirigentes do MpD reiniciar o discurso de fraude, compra de votos, "dnher d´Angola", aviões, ditadores, etc, que só existem nas cabecinhas deles...sobre esta estratégia voltarei mais tarde!!

Creio por isso que se a intenção era fazer um ensaio para ver as "possibilidades" de Veiga no cenário das presidenciais, o post de HC foi uma tática errada!

1.3.11

João Bosco em Cabo Verde...e não é sonho!

Pois é "galera"...já me "belisquei" e não tô sonhando: João Bosco vem pra Cabo Verde fazer 2 shows. Um em São Vicente, no dia 17 e outro na Praia no dia 18, de Março.

Tá parecendo muito bom pra ser verdade, não é? Pois, o autor de "Papel Machê", " A nível de de", "O bêbado e o equilibrista", "Memórias da pele", etc, vai estar entre nós, numa iniciativa da 3B Produções. Esses "caras" que estão trazendo grandes artistas brasileiros, como foi o caso de Adriana Calcanhoto e agora João Bosco, no âmbito do projecto "Brasil ao vivo em Cabo Verde"...valeu "rapaziada"! É do "balacubaco", "morô"?

Agora é todo mundo "ficar esperto" pra saber dos locais pra venda de "ingresso" e os palcos que receberão João Bosco...afinar "azoreia" e epserar o grande dia!

Saravá...

17.1.11

Abraão Vicente 2011 f06: Causas

Sim...todos temos direito ao contraditório e o contraditório é essencial para esclarecer se há dúvidas e para desenganar as pessoas, principalmente contra demagogias...então seja democrata, respeite o contraditório, não tenha medo e aceite comentários...
Edson Medina

7.1.10

As irresponsabilidades de uma (des)organização: a fome do poder e suas manifestações levianas!

Neste aspecto eu costumo dizer que é preciso ser-se coerente: a JPD, enquanto principal reivindicadora de melhores condições e emprego para os jovens devia se congratular com esta medida e cobrar do GOverno a transparência e a lisura do processo: that´s accountabillity!
Mas não, prefere fazer politiquices e "gincana política"! A JPD pode solicitar o processo referente ao concurso, é legítimo que o faça! O governo deve inclusivamente disponibiliza-los. Não pode é pôr em causa a seriedade e honestidade do Governo, das pessoas e das organizações internacionais que financiam o desenvolvimento de projectos em CV!
Só uma (des)organização desatenta é que faria afirmações destas, pois não sabem (ou fingem não saber, o que é pior) que as organizações financiadoras montam um programa de seguimento e avaliação dos projectos que afere os custos, os recursos disponibilizados, a sua aplicação e avaliam o impacto do projecto. Ou seja é uma monitoração constante para garantir o sucesso dos programas e projectos...
Mas se querem falar de projectos "eleitoralistas" e com o mero intuito de mobilizar jovens e de forma desonesta e sem lisura, que tal falarmos do famoso "crédito jovem" do final da década de 90, um completo fiasco e que criou empresas jovens nadomortas e uma dívida de mais de 300.000 contos ao Estado?? Mas não precisamos ir muito longe...é só ver que o presidente não falou desta vez!

5.1.10

...

Preferia que o meu centésimo post fosse para assinalar uma efeméride, comemorar alguma data especial. Se pudesse escolher, escreveria no centésimo post as minhas conclusões, falaria, ou pelo menos tentaria falar de forma objectiva, apresentando dados sobre a nossa economia, a saúde de nossas finanças públicas. Se dependesse de mim, contaria uma anedota no centésimo post e arriscaria alguma tirada sarcástica. Mas não...este centésimo post é para traduzir a tristeza que me vai na alma: "Dúdu Pintcho" foi assassinado à facada, hoje de madrugada!
É sintomático como nessas horas nos revoltamos, ficamos chocados, desejamos que a justiça seja implacável, caimos até na tentação de fazê-la com as nossas próprias mãos...fazemos "posts", carpimos a nossa dor, solidarizamo-nos com a família da vítima...mas alguns dias depois, tudo passa! Vários "Dúdus" têm perecido desta forma: brutal, ignóbil, violenta! Temos uma sociedade violenta e já chega dessa história de "povo de brandos costumes". Não temos o potencial de "violência colectiva", que vemos noutras paragens...mas possuimos um potencial de violência individual, que nos leva a estas atitudes, por razões fúteis!
Brigamos por nada! Discutimos por nada...um mero ponto de vista diferente, o penalty mal marcado contra a nossa equipa, a derrota do nosso candidato nas eleições, a briga do nosso cão...com o do vizinho. São sempre "motivos" para uma atitude violenta!
Naturalizamos a violência com gestos, palavras...não encaramos frontalmente esta problemática, não sanamos a fonte de conflito à nascença e deixamos que ela atinja o pico, para depois fazermos o "damage control"...amanhã quem fará o "damage control" da Raquel, da Lena, do Tony, do Calú? Temos uma temática que precisa ser abordada nas escolas, na Universidade. A "gestão/transformação de conflitos" é um debate das sociedades modernas onde os conflitos estão mais latentes. Onde as diferenças são mais epidérmicas, onde a violência estrutural e a violência directa - entre/com pessoas - atingem proporções alarmantes. Mais do que abordar a "violência estrutural" da pobreza, diferenças sociais, desemprego, precisamos tratar dos micro-conflitos, numa abordagem humana, de aceitação das diferenças, de respeito pelo próximo, pela vida e pelos objectivos contrários.
Hoje os meus pensamentos vão para o Dúdu, mas vão também para as últimas vítimas de violência que o nosso país assinalou!
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