A proximidade das eleições autárquicas, a serem realizadas no proximo ano de 2012, têm aguçado os apetites dos políticos cá do burgo.
Vislumbrando uma possibilidade de ascençao politica, há casos em que, nos pequenos concelhos existam, à partida 3 ou 4 candidatos...de um só partido! Se essa quantidade de candidatos fosse directamente proporcional à quantidade/qualidade de ideias, de propostas e de uma visão do poder autárquico, tendo em conta a realidade do país, sintonizada com a conjuntura mundial, ainda poderiamos considerar positivo. Porém o que constatamos é simplesmente uma tentativa de se implementar agendas e ambições pessoais e em última análise, alcandorar ao poder, para criar uma rede de clientelismo, já habitual nas municipalidades e uma forma de estabelecer/consolidar oligarquias.
Hoje em dia, o que se verifica é uma quase que completa inexistência de visão autárquica, conflitando com a missão do poder autárquico e as razões que levaram à sua criação, existindo em seu lugar um emaranhado de promessas e desresponsabilização, tentando passar ao Governo o ónus de tudo o que de mal acontece nos municipios.
Esta movimentação de "candidatos a candidatos" é o reflexo do que se passa na política nacional e um indício do que poderá ser preocupante: há uma vulgarização da política, abrindo espaço a que apareçam protagonistas de índole, no mínimo duvidosa, com motivações escusas, quer nas autarquias quer no parlamento nacional. O resultado é o que se vê: "responsáveis" políticos sem noção de sua condição; sem capacidade de influenciar as grandes decisões do país e de seus eleitores; sem participação preponderante nos principais debates e, em contrapartida, olhando para seus umbigos e fazendo o jogo político, nao com o objectivo do bem comum, mas sim da realização do bem pessoal...
Creio que essa pequena introdução pode iniciar um debate sobre os "mínimos olímpicos" para a ocupação de alguns cargos políticos...
